Olaria Álvaro Gaspar Pedrosa

No fim da 2ª grande guerra mundial, a 24 de Setembro de 1945, nasceu no lugar do Vale de Baixo um menino chamado Álvaro, no meio de uma familia pobre que vivia da olaria, que já vinha das tradições dos seus avós paternos.


O miudo foi crescendo na olaria do avô, onde o seu pai trabalhava. Começou por brincar com o barro, brincar com a roda e o seu primeiro trabalho foi calcar (amassar) o barro. Entra na escola e lá vai aprendendo letras e trabalhando/brincando no barro.

         Com a 4ª classe feita, saí da escola e vai trabalhar na tenda, calcando barro e treinando na roda de oleiro. Aprendeu rápido a arte de oleiro e aos 15 anos já fazia as muidezas (escoteiras, barris, amotolias, tachos, tendeiras, mealheiros, quartitas, enfusas, barris, papeiros (alguidares pequenos), canecas, etc).


         Aos 19 anos vai à tropa, e por lá fica durante 3 anos. Quando regressa da tropa, vai para França durante 2 anos trabalhar na construção civil. Findo este tempo volta para Portugal, mas como motorista e isntalador de estores. Mas como as suas raizes estavam ligadas ao barro e o pensamento estava sempre na olaria “tenda”, e ao fim de 11 anos deixa a vida de Lisboa e volta às raizes do barro.


         Começa por construir o barracão e o forno de “capelo”(fechado por cima) para a cozedura das peças no 1º mês. Então começa a fazer peças de barro. As primeiras peças que produziu foram feitas numa roda tocada a pés e o primeiro barro foi calcado a pés e escolhido com as mãos. Ao fim de 1 mês de trabalho no barro, já fez a 1ª feira de Caxarias – São Bartolomeu – feira conhecida como a feira das panelas da Bajouca.


         Este trabalho era muito exigente, pois a produção era feita toda à tarde e noite, para durante a manhã se disponibilizar para as feiras e mercados.


         Como existiam outras olarias, Álvaro entra com ideias e peças novas, de modo a não entrar em concorrencia directa com as outras olarias e poder vingar na arte do barro. Esta atitude surge graças ao seu orientador o Sr Luis Santos, que lhe deu as seguintes orientações: faz peças novas que os outros não façam, ou seja, sair do tradicional e procurar vende-las onde mais ninguém vende, ou seja procurar novos mercados, novas feiras. Algumas dessas peças criadas foram: ganços, bilhas do segredo, cantaros com asas de trança, conjuntos de mousse, conjunto de licor, terrina para azeitonas e para sopa, pratos de decoração, etc, cria novas cores com os vidradose ai mais a feiras/mercados mais distantes, como sejam 1-Caranguejeira, 2-Santiais, 4-Monte Real, 7-Ranha, 10-Boleiro-Fátima, 18-Arneiro, Freixianda, Abiul, Santiado Litãem, mercado Leiria, Pombal, Ansião e Louriçal.


         A partir desses locais novos de venda, Álvaro teve conhecimento com donos de lojas e começa progressivamente a fornecer as lojas e deixa os mercados.

         Passado uns tempo aparece um cliente estrangeiro e em pouco tempo a produção passa a ser quase toda canalizada para a Belgica. Com o tempo foram surgindo outros clientes de Suiça, França, Austria, EUA, etc.


         Com a abertura aos mercados asiaticos no final da decada de 90, as exportações de ceramica caem drasticamente e o artesanto ainda foi mais afectado. A partir desta data o escoamento de produtos passou a ser muito mais dificil. Até aqui eram os clientes que vinham ter connosco, agora somos nós que temos que ir à procura dos clientes. Apesar da situação complicado a actividade vai-se mantendo até aos dias de hoje.

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